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Ivan Silva: o lateral do século

Ivan Silva: o lateral do século

Sorriso fácil e conversa simples. Assim podemos definir o carioca Ivan da Silva, 55 anos, considerado o lateral-direito do século da equipe do América. Com 16 anos de dedicados como jogador, ele iniciou a carreira no Madureira do Rio de Janeiro. Em seguida se transferiu para o Ferroviário do Ceará e depois chegou ao Rio Grande do Norte onde defendeu as cores do América durante uma década.

Ivan chegou ao Mecão em 1974 para jogar como lateral-esquerdo, mas logo foi deslocado para a lateral-direita tendo jogado inclusive como zagueiro. “Só não fui escalado para goleiro, mas nas demais posições do campo eu joguei”, brinca.

Ao longo dos anos que jogou pelo América, Ivan conquistou sete títulos estaduais (1974,75,77,79,80,81,82). O ano de 1983 marcou sua despedida dos gramados. “Não existe jogo de despedida para ex-atletas no Rio Grande do Norte. A maior homenagem que recebi do da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) que me chamou para treinar a seleção do Estado que iria enfrentar a equipe do Flamengo (RJ)”, disse.

Depois de deixar o futebol, Ivan foi treinador por dois anos (1984 a 1986) e também foi árbitro de futebol por oito anos (1986 a 1994). Atualmente, Ivan, que é casado e pai de dois filhos, é funcionário da Secretaria de Esporte e Lazer (Sel), cargo que ocupa desde o ano de 1986.

Dez na Rede – Você conquistou alguns títulos pelo América. Dentre eles qual o que mais te marcou?
Ivan – Dois em especial foram marcantes. O primeiro foi quando cheguei em 1974 e tiramos aquele que seria o pentacampeonato do ABC. Naquela época o América não atravessava uma fase muito boa e o título nos deu uma boa moral. A outra conquista foi em 1982 quando fomos tetracampeões invictos e recebi o prêmio de atleta do ano jogando como zagueiro.

Dez na Rede – Durante os dez anos que jogou pelo América você jogou várias partidas. Qual foi a mais emocionante?
Ivan – Foi uma partida contra o ABC válida pela seletiva do campeonato brasileiro de 1974. Em 1973, nós fizemos uma boa campanha que nos credenciava a disputar o campeonato, mas o ABC vinha da suspensão de dois anos e também queria disputar o torneio. Então a Federação resolveu fazer duas partidas entre as equipes. No segundo jogo, nós perdemos por 2 a 1, mas vencemos na prorrogação por 1 a 0 e ficamos com a classificação.

Dez na Rede – Nesses anos atuando como lateral e zagueiro, qual foi o jogador que mais te deu trabalho?
Ivan – Lembro muito de um ponta-esquerda que jogou pelo Alecrim. O nome dele é Edmilson. Um baixinho rápido e habilidoso muito complicado para ser marcado durante os jogos.

Dez na Rede – Após encerrar a carreira você trabalho dois anos como técnico. E seguida, resolveu ser árbitro de futebol. Por que essa decisão? Como foi apitar jogos em que alguns dos seus companheiros de clube estavam jogando
Ivan – Resolvi entrar para a escola de arbitragem depois de um jogo entre América e Alecrim válido pelo primeiro turno do campeonato estadual de 1984. O América venceu nos pênaltis, mas vi que durante a partida o Alecrim foi prejudicado. Daí resolvi ser árbitro para realmente entender como era aquele mundo da arbitragem.

Dez na Rede – E qual a partida mais difícil que você apitou?
Ivan – Lembro de um jogo que apitei entre América e Baraúnas em Mossoró na década de 90. Nenhuma das equipes podia perder e fui escalado para apitar essa partida. Durante a semana muito se falou. Inclusive um dirigente americano da época afirmou que eu não tinha competência para apitar uma partida daquela importância. Já o dirigente do Baraúnas disse que não se responsabilizaria pela vida do árbitro na partida. O jogo começou e logo alguns jogadores tentaram mostrar intimidação. Como estava tranqüilo não me deixei abater pelo que me diziam ao longo do jogo.

Dez na Rede – Por que você deixou a arbitragem após oito anos?
Ivan – Minha idade e alguns problemas na Federação motivaram minha saída do quadro de árbitros. Há pouco tempo foram mostrados os problemas da FNF. Naquela época as coisas eram ainda mais graves. Sofri perseguição e fui afastado do quadro nacional de árbitros porque não aceitei a interferência do presidente da FNF durante uma partida que apitei.

Dez na Rede – Você jogou várias vezes com o Machadão lotado. Qual sua avaliação para a atual situação do nosso futebol?
Ivan – Fico triste em ver a pouca presença do público aos jogos. Acredito que muito dessa escassez nos estádios se deve aos dirigentes. Hoje em dia o futebol não é visto por dirigentes e atletas com o amor e a emoção de duas ou três décadas atrás. O futebol agora é jogado meramente pelo dinheiro.

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