
No dia 17 de abril de 1934 nascia mais uma estrela do futebol Potiguar, Wallace Gomes Costa. Em sua trajetória, vestiu a camisa dos principais times de Natal. Carrega consigo o sabor de importantes conquistas. Em 1972, gravou para sempre seu nome na história do futebol Norte-rio-grandense como o primeiro treinador a conquistar um título no Estádio Humberto de Alencar Castelo Branco, atualmente o Machadão. Aos 17 anos já era titular do time profissional do América, clube em que ficou até 1959. No ABC conquistou o pentacampeonato em 1962 e foi campeão em 1965, ano em que aposentou as chuteiras. Seis anos mais tarde retornou aos estádios como treinador e deu seqüência à sua importante contribuição para o esporte potiguar. Hoje, 18 anos fora dos campos, Wallace nos conta parte de sua história, suas opiniões e suas perspectivas.
Comecei jogando na rua. Tinha um campo na Avenida Alexandrino de Alencar que a gente chamava “a grama”, foi lá que grandes atletas do passado iniciaram suas carreiras. Através de pessoas que me viram jogando ali, eu fui convidado para o compor o time infantil do América em 1949. E pouco tempo depois fui selecionado para o Juvenil.
Estava no Juvenal Lamartine para jogar a preliminar (América x Santa cruz) pelo time juvenil. Logo, o treinador veio e me disse pra eu não trocar de roupa porque Pernambuco, meio esquerda do América, estava machucado e poderia não conseguir jogar a partida. No primeiro tempo estávamos perdendo de 1 a 0 e Pernambuco não agüentou e saiu. No segundo tempo eu entrei e viramos o jogo. Desde então nunca mais deixei de ser titular.
Após sair do América, joguei duas temporadas pelo alecrim e em 1962 fui para o ABC Futebol Clube.
Foram quatro, dois defendendo a camisa do América, bicampeão 56 / 57 , e pelo ABC fui Pentacampeão em 1962 e Campeão em 1965, ano em que eu encerrei minha carreira no futebol.
Eu sempre gostei de futebol, jogava com alegria , sentia prazer. Em toda minha trajetória dependi apenas de minha perseverança. Hoje, os pais não querem mais colocar os filhos para estudar, quer que eles sejam jogadores de futebol e acabam forçando seus filhos a seguirem um caminho para o qual, às vezes, não têm talento. Vejo muito isso nos peneirões dos quais participo.
Como se tornou treinador?
Assim como eu cheguei a ser profissional, também me tornei treinador naturalmente. Em 1971, iniciei treinando com os Juniores do ABC e em 1972 assumi o time profissional.
Foi, sem dúvida, o tricampeonato de 72 como treinador. Superando, inclusive, os meus títulos como jogador. Nas outras eu me sentia como uma pessoa normal, nessa conquista eu chorei.
Perder o tricampeonato pelo América, em 1953.
Muita coisa, e ainda hoje representa. O ABC nunca esqueceu de mim, sempre sou homenageado pela diretoria e, como desportista, minha passagem pelo ABC foi inesquecível.
Péssima! Estive em uma partida recentemente e fiquei impressionado. Ainda no aquecimento os jogadores já estavam com lama nas canelas. Na minha época caíam chuvas torrenciais, mas em pouco tempo o campo já estava perfeito para jogo. Contudo, pelo que sei, o estádio deixou de servir ao futebol e serve mais a shows. Várias toneladas de materiais dentro de campo, além das pessoas pra lá e para cá. É claro que o terreno vai ceder. Está quase Impossível ocorrer uma partida em dia de chuva no Machadão, enquanto que na minha época o gramado daqui era conhecido como um dos melhores do Brasil.
Quer deixar alguma mensagem aos atletas iniciantes?
Primeiramente, não deixe que os elogios subam à cabeça. A carreira de jogador de futebol é muito curta, então é necessário ter os pés no chão. Ter humildade, bom caráter e ter cuidado nas amizades são de fundamental importância.
Estou aposentado, mas nunca me afastei definitivamente. Eu gosto de futebol! Vivo olhando o futebol um pouco de longe. Dou cobertura aos meus amigos que me procuram, dou opiniões, palpites, e sempre acompanho os jogos da Associação de Garantia ao Atleta Profissional do RN (AGAP).
Quais seus planos para o futuro?
Tenho um projeto na área do futebol, mas ainda precisa ser amadurecido.
Por Tallyson Moura