
A luta por um órgão estadual focado exclusivamente para o esporte saiu do papel, tem nome, secretário e equipe que conhece o assunto. Atendendo uma cobrança que já parecia perder força, a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (SEEL) chega ao seu segundo mês de criação com perspectivas que devem sacudir o desporto potiguar. Radialista, jornalista, apresentador e promotor de eventos, Miguel Weber, 37 anos, assume a responsabilidade de ser o primeiro gestor da SEEL. Tranqüilo, com discurso alinhado com muitas ações planejadas, ele vai trabalhar este ano com orçamento de R$ 3 milhões, buscando fazer milagre para atender diversas entidades e elaborar um calendário de eventos bem atrativo. Em entrevista exclusiva, Weber reconhece as dificuldades iniciais, confirma que Natal é candidata ao mundial da Copa de 2014, afirma que pretende organizar os Jern's, fala sobre Loteria Estadual e descreve os projetos que pretende executar.
Deznarede - Como está sendo o início do trabalho?
Miguel Weber - Quando recebi o convite da governadora Wilma, encarei com um desafio em minha vida. Antes existia apenas uma coordenação, agora há uma Secretaria de Esporte. O processo burocrático dificulta muita coisa no início. Mas já começamos a sentir que tudo começa a andar. Para quem pegou a secretaria do zero, sem nada, tem muita coisa bem adiantada. Deixando de lado as coisas burocráticas, as primeiras ações vão começar a acontecer a partir de agora. Atualmente, a SEEL funciona provisoriamente no 3º andar do hotel Maine, em Lagoa Nova, mas, segundo o secretário de Administração, Paulo César Medeiros, iremos para o antigo espaço do Papódromo.
O que está previsto de orçamento para 2007 e como deve ser aplicado esse recurso?
Bem, nós temos um orçamento limitado, apenas R$ 3 milhões. Temos cinco projetos em pauta. Inicialmente, três deles, já aprovados pela governadora,. Estamos priorizando, nesse primeiro momento, o projeto Vida Saudável, que é voltado para a terceira idade voltar praticar esporte, buscando um espaço para eles pratiquem dança de salão, uma parte de natação, tendo preocupação com muitas pessoas que não têm condições de ter esse lazer. Temos também o projeto Lazer do Fim de Semana, com objetivo de ter atrativos para os jovens. A ocupação é fundamental para diminuir os índices da marginalidade. No segundo momento, iremos criar o Expresso do Esporte, interessante porque iremos levar ações esportivas para várias cidades. No fim de semana, levaremos uma grande estrutura para organizar eventos de lazer, eventos esportivos na cidade. Além disso estamos dando total atenção as ações que não são tratadas como projetos. Já está no esboço, a primeira Mini Maratona de Natal. Em todas as grandes capitais há maratonas. Outra ação importante que estamos apostando todas as fichas são os Jogos Abertos do Interior do Estado. Nós temos os Jern's que são voltados para os estudantes. Mas as outras pessoas? Vamos estimular o confronto entre cidades em várias modalidades. Esperamos que isso dê uma sacudida. O Campeonato Sub 17 de Futebol também será outra atração nossa, envolvendo todas as cidades.
Há um calendário de eventos?
Ontem nós reunimos a equipe e definimos que todos apresentem suas idéias para definirmos o calendário para este ano. Nós próximos dias iremos divulgar nosso calendário.
Existe um projeto de expandir a SEEL pelo Estado?
Há. Estamos expandindo e vamos começar pela zona norte de Natal, na área do antigo colégio Expansivo, onde já tem espaço com natação, futebol de areia, ginásio coberto. Nosso objetivo é aproximar as pessoas, os idosos, que teriam dificuldades de se deslocar até nossa sede para trazer sua sugestão, solicitação. Iremos selecionar algumas modalidades para prestar um serviço de qualidade.
O senhor pretende ouvir sugestões dos grandes nomes do esporte potiguar, tais como Virna, Oscar, Clodoaldo Silva, Vicente Lenilson e outros?
O primeiro projeto que a gente tem é a criação de um grupo de notáveis. Nada melhor que ouvir quem conhece muito do nosso esporte, pessoas que conseguiram vencer, praticamente sem apoio. A idéia da gente é fazer uma reunião com esse pessoal. Pegar um dia que todos tenham em comum, em suas agendas, para fazermos um evento, um seminário para discutir políticas para o esporte do Rio Grande do Norte. A partir daí, utilizar algumas das idéias na Secretaria.
Como você pensa em utilizar o esporte como produto turístico?
A governadora Wilma está empenha em colocar Natal sede da Copa do Mundo de 2014. Para isso, precisamos ter força política e um investimento muito alto. Ricardo Teixeira vem a Natal em abril para conversar com a governadora, para que a gente lance nossa candidatura. Temos o compromisso da governadora de garantir toda condição exigida pela Fifa e CBF. Iremos trabalhar tudo isso de uma maneira turística, de forma macro.
Quais são os argumentos para que Natal seja sede da Copa de 2014?
Primeiro, a capacidade do potiguar receber as pessoas de fora. Nosso povo é fantástico. Temos a questão da culinária, as nossas praias. Temos uma rede hoteleira muito boa. Nossa localização é privilegiada, geograficamente falando. Fica tudo muito próximo da Europa, da África, tem essa vantagem. Teremos o compromisso de entregar um estádio de futebol novo, dentro do padrão que Fifa exige.
Quais eventos nacionais o RN pode sediar?
O Brasileiro de Surf já vai ser em Natal. Está confirmada, no mês de maio, a Seletiva do Pára-Pan. Todos os atletas de natação e atletismo do País estarão em Natal, buscando suas vagas para o Pára-Pan. Teremos um campeonato nacional de atletismo. Magnólia já teve aqui e definimos isso. Temos o brasileiro de basquete. Tudo isso vai contribuir também para o turismo.
Como serão as parcerias com associações, federações e secretarias municipais de esporte?
Marcamos três reuniões. A primeira com as associações, em seguida com as federações e depois com os representantes de esporte de todos os municípios, já que não há secretárias em todos os municípios. Teremos uma grande reunião em maio. Não adianta a gente impor tudo, temos que saber discutir as boas idéias, sugestões para o nosso trabalho. Descarto qualquer possibilidade de uma administração unilateral.
Como a SEEL vai escolher os projetos, apoios que chegarão durante sua gestão?
O que as pessoas precisam entender, no primeiro momento, é que não adianta dizer que correu tal corrida, que conquistou vários títulos. Iremos selecionar as boas idéias em parcerias com as federações. As entidades irão eleger as prioridades, depois buscaremos o apoio necessário para fomentar a atividade.
Quais as principais diferenças entre a SEEL e a Codesp? O senhor tem interesse de organizar os Jogos Escolares do RN (Jern's)?
A Codesp é um órgão ligado diretamente ao setor da educação. A Secretaria de Esporte se desvinculou da Educação. O que a gente está pensando em relação ao Jern's, o nosso grande ponto de interrogação, a área dos jogos é uma atividade nossa. Nada impede de fazermos uma parceria com a Secretaria de Educação. Estaremos com a secretária na próxima semana para falarmos sobre isso. Eu não quero ser problema para Educação. Se a Educação vai continuar com os Jern's? Não vejo problema. Queremos saber onde podemos contribuir, somar, agregar.
Como será a política da captação de projetos federais?
Estamos atentos ao Bolsa Atleta, Segundo Tempo, mas são projetos que necessitam da contrapartida do Estado. Precisamos beneficiar mais atletas. O Governo Federal tem este ano o maior orçamento da história voltado para o esporte, quase 1 bilhão de reais. Então cabe a nossa capacidade para elaboramos os projetos e buscarmos a contrapartida federal.
O Estado pode ganhar uma lei de incentivo ao esporte?
Temos alguns deputados que têm todo interesse, não só os deputados ligados ao esporte como Cláudio Porpino, Gustavo Carvalho, Poti Júnior e Robinson Faria, como outros. Quem sabe uma loteria estadual? Quase todos os estados têm, com fundo voltado para o esporte. Temos outras formas de capitalizar. Se depender de orçamento, é muito difícil.
Como a SEEL pretende apoiar o América no Brasileirão?
Eu conversei com o secretário de Natal, Nilton Figueiredo, com o presidente do América, Gustavo Carvalho, sobre isso. Não temos como focar isso isoladamente para o América. Podemos executar algumas idéias juntos. Não podemos direcionar para esse ou aquele esporte, esse ou aquele time. Nosso objetivo não é criar um atleta, é formar um cidadão. Essas parcerias, não só com o América, que merece uma atenção especial por disputar a Série A, elas estão sempre abertas. Cabe ao dirigente também trazer a idéia, para saber como podermos investir.
Você defende a estadualização do Machadão?
Eu sou da idéia de discutir, de deixar o estádio em condições de sediar grandes jogos e dar conforto ao público. Estamos abertos para conversarmos com o secretário de Natal ou com o próprio prefeito para discutirmos uma parceria. Se a Secretaria pode entrar para organizar, tentar colocar um novo modelo de gestão, a gente pode ver. Só não queremos é iniciar uma queda de braço sobre o Machadão. Precisamos entrar não só com o ônus, mas também com o bônus.
Como será a administração das praças esportivas, dos ginásios?
Temos uma relação de praças de esporte. O Caic de Lagoa Nova, em Natal, por exemplo, precisa ser um centro de referência esportivo. Lá já está deteriorado pela questão do tempo. Já existem algumas ações no Caic, fortalecendo as atividades já praticadas. Não podemos tirar as pessoas que já exercem suas atividades. Vamos fazer algumas ações nas praças esportivas, sem desalojar as pessoas.
Alguma política específica para os pára-atletas?
Já conversei com a governadora sobre isso. A nossa estrutura atual da SEEL é pequena, mas a governadora autorizou a criação de uma sub-coordenadoria para os para-atletas. Eles farão uma eleição e escolherão o representante que estará conosco na SEEL, discutindo políticas direcionadas para esse segmento. Só eles que vivem com suas dificuldades, sabem, melhor que ninguém, as suas necessidades